Postado por
Myrella Andrade
A gente sempre cansa. Te esperei tanto de olhos fechados, ouvindo a mesma música. Meus lábios decoraram toda a melodia, e por muitas vezes ainda cantarolo tudo por aí, e te lembro. Te revivo. Nas minhas lembranças, no meu sorriso meio torto de lado, nas minhas andanças e conversas e besteiras, todas tortas. Nos meus escritos, você bem sabe. Só você existe, anjo. Só o teu sorriso tão bonito. Não sei como não se cansa. De mim, de meus vícios. Acho que até já cansou, bem no fundo. Mas sabe, anjo, sabe aquele momento em que a gente já não aguenta, em que por dentro a gente desaba, a gente se quebra, a gente fica todo torto por completo? O meu momento, agora, é esse. É bem isso que você faz comigo. Me deixa triste, me deixa doendo, me deixa ardendo por dentro, me deixa queimando até virar só metade. A outra metade voou, voou, voou bem longe, e caiu nos teus braços. Você jogou tudo fora. Não vê? Já chega, já cansei. Não te procuro mais, as coisas não são assim. Mas nada disso tem jeito, nem sentido. Porque por mais que eu te esconda, eu te encontro todo dia, todo momento e todo segundo dentro de mim, dentro das minhas palavras. Em mim você vive. Como é que eu poderia, então, fugir disso? Como eu posso fugir do que mora dentro de mim? Eu não sei, anjo. Me ensina… Me ensina a fugir de você. Me ensina a voar, bem longe. Me ensina a virar noite… Eu não me importo de ser escuridão, meu anjo. Quando eu penso em você, viro luz. Mas tua luz me cega.
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Letícia Loureiro
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