Nós somos muito diferentes, eu sempre digo. Você ri,
desconversa, diz que isso é ótimo. O tamanho das minhas unhas e o colorido
delas é sempre motivo de ironias e piadas e eu sempre tenho que te provar que o
potencial dos meus dedos independe delas. Você some e faz frio e calor, folhas
caem, flores nascem, velhas namoradas reaparecem e aí seu holofote se vira pra
mim de novo. Nunca tentei me explicar a
articulação das nossas coisas porque com você eu não preciso racionalizar tudo,
com você eu sinto. Não deixo de adorar seus sorrisos nervosos e seu olhar de
quem sabe muito mas quer testar pra conferir. A gente é incêndio, explosão,
corrosão em um dia e glacial um mês e ainda assim, não deixo de me sentir mais
sua do que de todos os outros que me contam pra você e que já estiveram no seu
lugar. Somos muito diferentes, não me canso de repetir, como um mantra, quase
que pra me convencer que o nós nunca, em nenhuma hipótese, jamais, daríamos certo
– seja lá o que isso signifique.
Te conto sobre amor e deus e vida e fé e luz e energias cósmicas
e você me olha rindo, me ouvindo, tentando me fazer entender que ser diferente é o
melhor de mim. Tenho muito amor em mim e sei usar, eu sei te dar sem afetar as égides
da sua vida e você sempre desaparecer no auge de nós não me faz te arranhar. Me
pergunto se somos coincidência ou então alguém lá em cima – ou em qualquer
lugar - tem realmente muito senso de
humor. Será que é errado não sentir culpa por nós? Não há grandeza na certeza,
só nas duvidas e as minhas sempre me aproximam de você. Quero te soletrar o meu
permanente respeito pelo que te existe e quero continuidade pro meu sentir, pro
nosso. Eu sou paciente eu não preciso da adrenalina de saberem que existimos, só
quero a sensação de deixar de te esperar e sim te ter mais que algumas horas
por ano.
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