Tendo a lua. De novo.

Fazia contagem regressiva batucando os pés no chão, olhava as horas, coçava as mãos. Arrumava o cabelo, cutucava as costelas, ronronava alguma melodia inquieta. Estalava o pescoço, mordia os lábios, expirava em alto tom. Entortava o nariz, roçava uma perna na outra, franzia o cenho, ajeitava a postura, levantando os ombros. Mal sabia a menina que eu me demorava só pra ver ela fazendo pose, articulando birra, desembocando altivez, enquanto eu me apaixonava mais um pouco pela cara de brava que ela fazia. Mal sabia ela que eu só enrolava pra que ela visse a falta que eu podia fazer, porque ela ainda não sabia, o que todo mundo já esperava, mas que, por preguiça, não reparava. Eu (ainda) era o amor da vida dela.
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