Eu tinha um tipo de pessoa ideal, mesmo disfarçando sempre que alguém me perguntava qual era, e esse corpo solidário, solitário, muito branquinho e de coxas grossas se encaixava muito bem nele. Ainda sim, não me interessei em nada nela, além de seu colo e suas palavras duras que faziam brotar mais lágrimas em mim.
Eis que me vi sentada no fundo de um bar charmoso em uma rua charmosa e tocava jazz e os bancos eram altos e de madeira. Me sentia confortável com aquelas sensações; familiares.
A mulher rabiscava desenhos de câmeras fotográficas antigas no guardanapo e eu me sentia ainda mais distante.
Eu acreditava no amor como outras pessoas da minha idade não conseguiam entender. Eu acreditava na articulação do destino, do perdão, dos caminhos enlaçados, dos fios embolados que parecem confusos mas que de longe formam bonita tapeçaria.
Eu andava no outro lado da rua com a experiência de quem já se jogou no meio do caminho sem medo de ser atingida. Veja bem, eu acredito. Não é necessário acreditar em uma lei para que ela se aplique. Algumas coisas são verdadeiras, acreditando nelas ou não. Eu acreditava no amor com a fidelidade de quem o adora como um deus.
Eu acreditava no Amor.
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