Eu não sou o que eu escrevo. Não sou esse monte de linhas tortas. Não sou esse mar de paixões inacabadas. Não sou nem título dos textos que eu escrevo. É por isso, que o meu nome só vem abaixo. Não como um abaixo-assinado. Mas como o autor daquelas idiotices imaginárias.
Eu não sou o que eu escrevo. Não passo madrugadas acordado. Não sofro tanto por amor como parece. Não estou nas entrelinhas que saem das meus dedos. São só palavras. Não são ideias. Nem pensamentos. É por isso, que escrevo contos, estórias. Imagino pessoas sofrendo por amor, como uma criança de 6 anos ao tentar olhar pelo buraco da fechadura. Tudo é maior nas palavras. Tudo é exagerado.
Eu não sou o que eu escrevo. Não esse estereótipo criado pelas minhas palavras. Minhas crônicas são como cuspir para cima e permanecer estático. Como tiros pela culatra. Como programar mísseis em minha própria direção. Sou um homem-bomba sem esperança de encontrar o paraíso. E se uma imagem vale mais do que mil palavras. Minhas mil palavras, infelizmente, valem mais do que a minha imagem. Meu canal atrapalha a minha programação.
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